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  • Olá, queridos leitores, boas-vindas ao meu blog renascido das cinzas! Foram muitos anos de abandono de atualizações e quase duas décadas de afastamento do meu espírito de blogueira raiz, mas felizmente estamos de volta.

    Desde o início de 2026, tenho experienciado profundas transformações no meu relacionamento com as redes sociais e com o consumo de informação pela web em geral. Estava muito insatisfeita com a maneira como as redes comerciais fechadas (em especial o Instagram) deixaram de entregar as publicações das contas que seguimos e nos aterraram em um lixão de publicidades e vídeos não solicitados por meio de algoritmos diabólicos.

    Acho que a grande virada de chave foi a longínqua lembrança do uso de leitores de RSS. Não me lembro mesmo como essa memória atravessou a minha mente; só que fui invadida por uma nostalgia e imediatamente me pus a pesquisar sobre o atual estado dessa tecnologia avançadíssima (risos). Fui surpreendida ao me dar conta de que muitas pessoas ainda fazem uso dela. Diante dessa descoberta, percebi que havia uma saída possível para o meu descontentamento.

    Um feed todo meu

    Na minha época de blogueira – sobre a qual me debruçarei em breve -, o feed RSS era tão importante quanto a minha caixa de e-mails. Espaço central no consumo de informação pela rede, era ele que recebia o primeiro clique ao sentar na frente do computador (sim, ainda estava muito longe de usar meu primeiro smartphone).

    Se você não teve contato com essa maravilha criada em 1999, aqui vai uma breve descrição:

    RSS (Really Simple Syndication, ou “Sindicação Muito Simples” em tradução livre) é um formato de distribuição de informações em tempo real pela internet. É uma tecnologia baseada em linguagem XML que permite que usuários recebam atualizações automáticas de sites, blogs, portais de notícias e podcasts, sem precisar visitá-los individualmente.

    Basicamente, os feeds RSS foram a inspiração a partir da qual todas as redes sociais atuais se desenvolveram. O conceito de “seguir” uma pessoa para receber suas publicações partiu justamente daí. Só que, infelizmente, ao longo dos anos, essas redes foram desvirtuadas e se tornaram espaços cada vez mais fechados e otimizados para fins comerciais.

    Eu, que era uma leitora assídua de blogs, acompanhava as pessoas através do RSS, e todo mundo que se relacionava virtualmente comigo costumava fazer o mesmo. Com o advento das redes sociais, fomos coletivamente abandonando nossos espaços pessoais e adentrando as redes. Sem perceber, abandonamos nossos feeds e ficamos dependentes das big techs. Não me recordo da última vez que abri meu leitor de feeds; tudo se perdeu.

    Mas há cerca de um mês retomei a prática e adotei um novo leitor. Comecei a buscar páginas relevantes para seguir e aos poucos estou formando meu próprio feed, livre de algoritmos e propagandas. É difícil de expressar o quão libertador está sendo esse processo – é como se estivesse voltando a respirar um ar mais puro após muito tempo vivendo em um ambiente poluído.

    Descoberta da IndieWeb

    Na busca por pessoas interessantes para seguir, acabei esbarrando com muitos blogueiros abordando a IndieWeb, um movimento que faz todo o sentido perante o estado atual das coisas.

    IndieWeb é uma comunidade de pessoas que defendem uma internet descentralizada, focada em sites pessoais e no controle total dos próprios dados. Ela propõe que usuários possuam seu próprio domínio, publiquem em seus sites primeiro (em vez de redes sociais centralizadas) e possuam seu conteúdo, promovendo uma alternativa à “web corporativa”. 

    Não são poucos os usuários que estão abandonando os jardins murados das redes sociais e retomando a posse do próprio material criativo. Aliás, a palavra POSSE é um fortuito acrônimo de Publish (on your) Own Site, Syndicate Elsewhere – Publique (em seu) próprio site, compartilhe em outros lugares – muito usada nesse contexto.

    Uma web moribunda começa a renascer e, embora sinta que cheguei atrasada para a festa, estou muito feliz e animada por finalmente entrar em contato com esse movimento. É um espaço muito acolhedor e revigorante.

    Viajando no tempo

    A cereja do bolo nesse processo de transformação do meu relacionamento com a web foi meu encontro com o passado.

    Não sei se você já teve o prazer de navegar pela Wayback Machine. Trata-se de um banco de dados digital criado pelo Internet Archive – eles arquivam mais de 1 trilhão de páginas da World Wide Web desde 1996. Vale a pena digitar o endereço de um site que você frequentava muito tempos atrás, é surpreendente.

    Bom, eu percebi que nunca tive a curiosidade de revisitar meus blogs antigos e que havia grandes chances de encontrar algum registro por essa ferramenta. Pois encontrei!

    quarto 2009
    Meu quarto extremamente rosa em março de 2009. Amo todos os detalhes: a janela do msn aberta no pc, a roupa de cama da pequena sereia, os quadrinhos na parede que eu diagramei no Photoshop CS3.

    Uma série de publicações do meu primeiro domínio estavam disponíveis, a primeira delas datada em 2007. Me deparei com meu eu do passado que ficou bastante esquecido: uma adolescente de 13 anos extremamente empenhada em fazer parte da blogosfera, aprendiz empolgada de design e muito fã de Harry Potter.

    Redescobri informações que já havia esquecido completamente. Por exemplo, que tinha um grupinho tão legal de leitores, que criei um fórum no meu próprio site para interagirmos. Que naquela idade já tinha uma lojinha virtual onde oferecia serviços gráficos e que recebia por isso. Que eu pintava o layout do meu site à mão e mapeava pixel a pixel para ter um visual totalmente autêntico!


    É sempre bom fazer algo diferente, que ninguém nunca fez, algo inteiramente seu.

    Luciana de 13 anos

    Fiquei encantada com as palavras da eu adolescente. Somos tão diferentes, mas certos traços são intrínsecos. Um dos mais marcantes é a voz e estilo de escrita, que, fora a incorporação de um vocabulário um pouco melhor, mudou muito pouco. Já alguns interesses que expressava me tiraram boas gargalhadas de tão distantes da minha realidade.

    Eu escrevia sobre cada pequeno processo de aprendizado com muita animação. Claramente o espaço do blog era edificante; me proporcionava muitas interações sociais genuínas, trocas mutuamente enriquecedoras. O tipo de troca da qual sinto muita falta, o tipo de troca que quero começar a retomar nessa nova fase do meu site.

    Uma nova era

    Meu objetivo com esse post foi contextualizar brevemente a motivação das mudanças implementadas no site. Não que eu já tenha leitores assíduos, não é o caso, a página estava morta. Mas fica o registro para a posteridade.

    Após um longo período confuso em que o sol na cabeça transitou entre um blog pessoal e uma página profissional, finalmente concluí a transição e migrei todo o conteúdo relacionado à Medicina Tradicional Chinesa para o local apropriado: o Observatório do Shen.

    A partir de agora, esta é a minha nova casa da web, meu blog pessoal para falar de tudo o que eu quiser. Isso inclui todas as efemeridades possíveis, que serão publicadas como notas curtas no meu novo microblog – que modéstia à parte, ficou lindo. Estou levando o princípio de POSSE a sério!

    Muito, muito, muito obrigada pelos comentários, é bom demais saber que alguém se importa em ver seu site atualizado, ler seu post e saber da sua vida.

    Espero em breve poder agradecer aos comentários novamente. Se você também escreve em seu próprio blog, me envie o link para que eu possa conferir! Vou adorar conhecer.