Diário é coisa séria

Publiquei brevemente este post no microblog e me dei conta de uma coisa. Acho que tenho escrito pouco no blog por ter idealizado um tipo de texto com uma estrutura um pouco mais extensa, e acabo deixando de elaborar vários posts por não ter a intenção de me aprofundar tanto. Questionando a linha tênue entre post e micropost, optei por escrever só mais um pouquinho e transferi-lo para o blog.



Hoje coloquei o atraso do diário em dia. Mão dormente e trapézios tensionados de tanto escrever, mas satisfeita de ter quitado essa dívida comigo mesma.

A escrita no diário é um hábito que eu levo muito a sério. Não que eu tenha alcançado uma consistência absoluta – muito pelo contrário. Alterno períodos de escrita abundante com momentos em que duas frases resumindo o dia são mais do que suficientes. Isso quando não falho completamente em realizar um registro. Mas faço um grande esforço para recapitular depois, como fiz no dia de hoje, em um gesto de profundo carinho pela Luciana do futuro.

As recapitulações são uma tarefa chata, muito diferente da escrita fluída e reflexiva que só consigo alcançar no calor dos acontecimentos. Estava adiando e acumulando escrita há dias. Detesto quando isso acontece e retomo as anotações com o rabo entre as pernas. Porém sempre termino de escrever me sentindo uma vitoriosa por ter vencido minhas tendências procrastinadoras. Só eu conheço a preguiça que me invade.

Minha pequena relíquia

Tenho adorado escrever com essa Parker 51. É uma caneta-tinteiro que herdei do meu avô, provavelmente datada de 1958. Não dei o devido valor quando ele me presenteou, mas a reencontrei em uma gaveta no ano passado e me dei conta da preciosidade que tinha em mãos.

Ao buscar mais informações sobre a minha Parker, acabei descobrindo o culto das Fountain Pens no Reddit. Trata-se de um mundo à parte: lá você encontra pessoas extremamente conhecedoras de bicos e mecanismos de canetas que você nunca imaginou que poderiam existir. Tudo de bom.



Reações no Fediverso
10 respostas
  1. a parker contando história de gerações, á mão.

    diário é coisa séria demais, li esses dias um livro que quero ainda escrever, é sobre essa mãe de família que como busca de individualidade e de si começa um diário, só depois das primeiras páginas ela começa a perceber para onde a vida foi, só quando conseguiu colocar as palavras de anos em algum lugar que prestou atenção em como a vida passou.

    diário é coisa muito séria!

    1. Qual o livro? Fiquei interessada!!

  2. Diários nos ajudam a organizar a vida e os pensamentos. São quase uma meditação (que também pode nos deixar com os trapézios tensionados).

    Para mim, adicionalmente, servem para satisfazer um pouco minha vontade de escrever. Como sei que 99% do que escrevo não interessaria a ninguém, esse conteúdo vai para o diário.

    P.S.: bela caneta.

    1. Pois é, Rodrigo! Me faz um bem danado. Agora estou tentando voltar meu impulso de escrita para algo público também, mas ainda estou engatinhando nessa haha

  3. Amei teu post, pois eu também escrevo em diários há um tempo e tem que levar a sério mesmo. É nossa memória e vida ali retratadas, não dá pra ser leviano com nós mesmos.
    Que lindo que tu herdou essa caneta do teu avô, essas coisas são especiais né?

    1. Que legal, Julie! Estou adorando descobrir várias pessoas que mantém esse hábito ❤

  4. Eu amava escrever em diário, às vezes penso em retornar… Fico na dúvida.
    Adorei sua caneta, acho muito chique esse tipo de caneta 🙂

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

    1. Experimenta!! Dúvido que se arrependa de escrever 🙂

  5. fico imaginando como é a experiência de escrever com uma caneta-tinteiro, deve ser muito prazeroso 😊

    por aqui escrever à mão em um diário ainda é algo que não consegui implementar na rotina. acabo achando muito mais fácil escrever no computador. talvez o segredo pra lutar com a minha própria preguiça seja me forçar a fazer isso antes de mexer em qualquer eletrônico. talvez com o tempo deixe de ser um esforço e se torne um hábito natural também. sei que, no fundo, arrependida pela mudança eu não ficarei.

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